Novo dia

Era para ser mais um dia como outro qualquer
e com efeito, foi
As diligências da natureza humana ainda não haviam me ocorrido
enquanto eu solvia meu café como de praxe
não me vinha a cabeça a maldade alheia
a inveja dos meus pares ainda não me tocava as ideias,
o azedume dos vizinhos, a má vontade dos colegas de trabalho
e toda a cera vinda dos outrora ditos amigos
ainda não alcançavam meus ouvidos
mas como de costume eu parei…
Sei que não devia, não é preciso ser o rei dos ditados
pra saber que de pensar morreu o burro.
E quando parei, como que em uma enchorrada, tudo me veio aos olhos
e como qualquer um com o minimo de perspicácia pode deduzir
é difícil não se abater com a realidade.
Um dia que começou com uma xicára de café e um punhado de desatenção
terminou como qualquer outro.
Eu de pé por ser obrigado a estar e com o coração assim como
as idéias em farrapos como se é devido a quem tem os pés no chão.

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A blind man with eyes on the back

All the time,in my whole life
the things had been gray
But i don’t care about this
Cause i’m blind man
I’m a blind with eyes on the back

I always look around
probably, you should look around too

I can’t see, but i always heard the time
The stars came down and
i don’t really knows that it means
If i ever had been alone
and nobody cared to me
i also don’t know what it means

I listen the sound of of dead stuffs
it makes me feel great about myself
Maybe the life gonna away
but as i can’t see
I don’t care about fucking things.

MENINA

 

Eu te dei todo amor que me cabia,
e você?! optou por deixar que ele vazasse a esmo,
líquido e incolor.
Pobre menina dos olhos de vidro…
Turvos como estavam, seu pequenos olhinhos
não perceberam a fonte se secando e o gosto
esvairindo-se.
Eu te dei não só meu amor.
Te dei tudo que cabia em mim
Você poderia ter bebido direto da fonte, mas não bebeu
agora nos resta juntar os fiapos num saco e seguir
como se a oferta nunca tivesse existido
será mais digno para mim que escorri torneira abaixo
e para você que afogou-se no desperdício.

Tempos Modernos

Éramos felizes na nossa tristeza
tudo que veio depois aceitamos.

Como aceitamos um aperto de mão, mais um biscoito
ou um tapinha no ombro.
No começo pensamos: Não há de ser nada!
Mas com efeito, foi!
O tempo sempre encarrega-se de solidificar os nossos pesadelos
a distância, o silêncio, o vazio
Todos nós carregamos os nossos abismos
O que muda é a mochila
A dos outros parece de rodinha e as nossas com alças de corrente
Mas não há de ser nada, penso eu.
Sempre haverá com quem revezar a maldita carga

Kessia

Talvez eu nunca tenha dito as palavras certas, não por desleixo, mas por acreditar que você sendo criança como eu, não precisasse delas para compreender o momento

Talvez eu tenha sido humano demais. Já me disseram que eu romantizo tudo, mas isso não importa, esse é um pecado que não me pesa carregar.

Talvez eu tenha visto demais nesses seus olhos FLAMEJANTES. Tenha roubado para mim alguns de seus gestos, mas porque eu não teria direito  de cambalear entre aspirações tão inocentes.

Qual criança nunca se encantou com com o FOGO e qual adulto não dormiria mais seguro tendo para si uma sentinela com os olhos em BRASA.

Talvez eu tenha me excedido, mas como já antecipei, sou humano demais e talvez tenha romantizado até o que não deva ser tocado.

Talvez eu tenha me despido demais, mas não me envergonho da minha nudez. Talvez ela roube por alguns segundos a atenção desses seus olhos de lince, e ai as palavras não ditas e os gestos postergados não mais me importarão.

Tânia, loucura encarnada!

A gente se acostuma, eu sei mas não devia.

Acostumamos com uma vida sem gentilezas ou elogios, amores de cinema e não minta para mim, eu sei que eles existem.

Acostumamos com empregos que só servem para ganhar o pão, amigos que não fazem mais que afastar a solidão e tarefas que só servem para passar o tempo.

É claro que ninguém vem ao mundo já com uma vida morna e de papelão. Essa moleza no viver é uma prescrição do tempo, ou segue-se a receita ou a vida torna-se uma aventura, e somos gentilmente educados a dispensar as aventuras.

Como adultos responsáveis nos é dado o dever de prover a solidez de uma vida previsível, e ai como já foi dito… a gente se acostuma.

Salvo eu é claro, que não quero nada que não seja quente, efêmero ou desajuizado, afinal sou louco por escolha e doido no prontuário.

Outubro Cinza

Um corte, um risco que seja, é como um espirro
um gesto de natural de expurgo

Um corte não é uma marca

Torna-se marca quando já não serve como corte

Um talho na carne é um momento nobre

memorável; intimo

É a liquida sensação de controle, seja da dor ou do flerte com a morte

um corte não é o esboço de um fraco

É o traço na tela feito pelo único artista capaz de antecipar a peça