REVERSO

Do sabor lascivo que me embota a boca ao calor
furtivo que me ata à forca
Há um intervalo frijo à cercar roca
tecendo o fino fio dessa existência oca
/--------------/
São rajadas que me escapam pelos olhos
embrazados como dois sóis, flagelo do que vejo
Mas escondem águas mornas que não
encantam, indigno ensejo
Já não sei se sou a fúria plástica que ama o
próprio desejo ou uma criança cega desejando
tudo que vejo.
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All hail the Crimson King

 

Eu vejo a torre e toda a escuridão que a rodeia
Eu posso ver.
Eu vejo a rosa e um par de olhos pesados sobre ela
São os olhos vermelhos do rei.
Eles cortam a escuridão como se a absorvessem.
Do alto da torre eu observo o rei e ele é rubro
Eu vejo a morte tecendo a sua teia por 
todos os andares da torre
Eu posso ver.
Vejo como os demônios que à habitam, 
saciam a sua lascividade
Eles possuem um código entre si, 
uma ética, uma bússola moral que dissimuladamente 
aponta para os seus apetites, mas eles não sabem disso.
Só eu posso ver.
Vejo a torre pender vacilante 
a mercê dos feixes que ainda lhe restam
Vejo a rosa que resplandece rubra como o rei, 
mas já quase vencida. 
Percebo que os mesmos porcos que se alimentam dela 
se liquefariam no mesmo instante em que ela tombasse
Eu vejo o frágil e tênue equilíbrio
que sustenta a nossa "metafísica”, eu vejo...
Eu posso ver!
E sei que apenas ao caos posso entregar a nossa sorte...
Todos saúdam o Rei Rubro!

VORTEX

É quase impossível conter na palma das mãos
algo de natureza tão flexível quanto a realidade.
Ela se retorce em espontâneas curvas
traçando caminhos até então inimagináveis...
Obtusa!
A criatividade e a sensibilidade que podem ser vistas
por alguns como qualidade é rival atroz dessa insensível medida
Só o racional é confiável!
A beleza intrínseca do desconhecido curva-se a necessidade
de explicação, de procedência.
O real e tangível não pode ceder espaço ao abstrato
A subjetividade especuladora da filosofia cede vagarosamente
o lugar ao simples e previsível...
Ou se é estático e inerte ou precisa ser curado
A vida não pode mais mover-se,
Ou ceifa-se a metamorfose ou aceita-se o enclausuramento!

NITRO

Há dias em que estamos por explodir
já não há mais sangue, só calor em mim!
Somente a fúria e a pólvora
A completa expectativa da desordem mascarada
na inflamável trama do delito diário, sou só eu e o fio da navalha...
Aos poucos a pressão que não é pouca, cala minha rouca voz
cega-me a ferro quente e me ata aos lençóis
Sou uma bomba, uma dinamite, 
porém sou castrado de irromper
não me é dado o direito de ser pelo meu dever
sou bomba mas não explodi
vivo a esperar o estalÍdo que nunca acontece
o derradeiro sacolejo, a pressão, o ataque
mas não, nada vem, assim como nunca virá
Sou sina por ser e serei por esperar 

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