DIVINA

aproximou-se calada, sorrateira
e lançando seu dedo na superfície dos lábios
congelou quase que por eterno o momento
era feito uma fotografia
a luz esculpia seus contornos de certa forma homogênios
e dada a natureza da situação a admiração era até involuntária
mirou-se no espelho velho do seu quarto que já a muito a capturava
era toda ela ali representada por uma imagem muda,
molhada
todas as suas cores finamente acentuadas,
refletiam de forma erotizada sua inocência jovial
era ela toda humana
carregava no olhar toda a sorte de pecados
vestia nos olhos uma certa dureza que a distinguia das demais
fora desenhada pela vida
e entregava-se as casualidades como dava-se aos demais
era completamente viva, machucada e real
fora marcada por muitos nomes
prostituta, meretriz,
ou qualquer outro nome que venha banhado na acidez da moral
mas não passavam de rótulos, disso ela sabia
tudo pra ela era fugaz,
tudo era apenas rotina
até a sua beleza, trivial
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